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Coluna Exclusiva: LUGAR DE MULHER É ONDE ELA DECIDE • por Simone Sommariva Vieira

POR QUE TANTAS MULHERES PRECISAM ENTREGAR MAIS PARA SEREM RECONHECIDAS PELO MESMO?

Você já teve a sensação de que precisava fazer um pouco mais, estudar um pouco mais, se preparar um pouco mais e entregar resultados ainda melhores para receber o reconhecimento que, para outras pessoas, parece chegar naturalmente?

Essa é uma realidade que atravessa a trajetória profissional de muitas mulheres.

Não se trata de falta de competência. Tampouco de falta de dedicação, preparo ou resultados. Muitas vezes, trata-se de uma questão mais profunda: por que o valor profissional de uma mulher ainda parece precisar de tantas comprovações?

O peso de precisar provar o tempo todo

Em muitos ambientes corporativos, mulheres são cobradas não apenas pelos resultados que entregam, mas também pela maneira como se posicionam, comunicam suas ideias, exercem a liderança e conduzem suas relações.

Se são firmes, podem ser consideradas difíceis. Se são conciliadoras, podem ter sua autoridade questionada. Se demonstram segurança, podem ser vistas como arrogantes. Se demonstram vulnerabilidade, correm o risco de serem consideradas despreparadas.

Percebe a contradição?

Às vezes, parece que não basta fazer bem o trabalho. É preciso encontrar o equilíbrio perfeito entre competência e simpatia, firmeza e delicadeza, ambição e disponibilidade para os outros.

E, enquanto tentam corresponder a tantas expectativas, muitas mulheres acabam investindo energia não apenas em realizar seu trabalho, mas também em administrar a percepção que os outros têm delas.

Quanto talento, tempo e energia são consumidos tentando provar aquilo que os resultados já deveriam demonstrar?

Quando a régua não é a mesma

Reconhecimento profissional deveria estar relacionado a critérios claros, como competência, resultados, responsabilidade, capacidade de resolver problemas e contribuição para o negócio.

Mas, quando vieses conscientes ou inconscientes entram em cena, a avaliação pode deixar de ser tão objetiva quanto parece.

Uma mesma atitude pode ser interpretada de formas diferentes dependendo de quem a pratica. Uma ideia pode ganhar força quando apresentada por uma pessoa e receber menos atenção quando apresentada por outra. Uma conquista pode ser atribuída ao talento de alguém, enquanto a de outra pessoa é tratada como obrigação.

Essas situações nem sempre são explícitas. Muitas vezes, aparecem em pequenos episódios, decisões cotidianas e oportunidades que chegam — ou deixam de chegar.

E é justamente por isso que precisamos falar sobre elas. Não para transformar a relação entre homens e mulheres em uma disputa, mas para questionar práticas e critérios que podem impedir o reconhecimento justo de profissionais competentes em avaliações de Executive Search.

Equidade e Reconhecimento Profissional Feminino nas Empresas

O custo invisível da excelência permanente

Quando uma mulher sente que precisa entregar sempre mais para ser considerada tão preparada quanto os demais, o esforço extra pode se tornar uma exigência silenciosa.

Ela assume novas responsabilidades, busca mais qualificações, antecipa problemas, entrega além do esperado e tenta evitar qualquer margem para questionamentos.

O problema não está em buscar excelência. O problema está em acreditar que a excelência precisa ser uma condição permanente para merecer o mesmo respeito, a mesma confiança e as mesmas oportunidades.

Competência não deveria exigir uma prova interminável.

Empresas que desejam desenvolver talentos precisam olhar para além dos resultados individuais e avaliar também como reconhecem as pessoas, distribuem oportunidades, promovem profissionais e identificam potencial.

Porque não basta dizer que a meritocracia existe. É preciso garantir que os critérios de mérito sejam claros, consistentes e aplicados de maneira justa.

O que precisa mudar?

Essa transformação exige responsabilidade coletiva.

Também precisamos fortalecer mulheres para que reconheçam seu valor, ocupem espaços, compartilhem suas conquistas e não sintam que precisam diminuir a própria voz para serem aceitas.

Mas é importante lembrar: não podemos colocar sobre as mulheres a responsabilidade de resolver sozinhas uma desigualdade que também depende das estruturas e das culturas organizacionais.

Reconhecer não é favor. É justiça.

Uma mulher não deveria precisar apresentar resultados extraordinários o tempo todo para ter sua competência reconhecida. Assim como nenhum profissional deveria precisar ultrapassar continuamente os próprios limites para conquistar a confiança que deveria ser construída a partir de critérios justos.

O reconhecimento não pode depender de quem consegue provar mais, suportar mais ou sacrificar mais. Precisa refletir o valor real da contribuição de cada pessoa.

E talvez a pergunta que as organizações precisem fazer não seja apenas “o que essa mulher ainda precisa demonstrar?”, mas também:

“Estamos realmente avaliando sua competência com a mesma régua que usamos para avaliar os demais?”

Porque lugar de mulher é onde ela decide. Onde sua voz tem espaço, suas entregas são reconhecidas e seu potencial não precisa ser provado infinitas vezes para que ela possa avançar.

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Simone Sommariva Vieira

Simone Sommariva Vieira

Simone Sommariva Vieira é especialista em Desenvolvimento de Pessoas, Carreira e Potencial Humano, com mais de 20 anos de experiência em Recursos Humanos. Atua conectando pessoas, talentos e organizações por meio de estratégias de desenvolvimento, liderança, empregabilidade e resultados. Com experiência em People & Performance, Talent Acquisition, Talent Development, DHO, Desenvolvimento de Lideranças e Mentoria de Carreira, combina uma abordagem consultiva, humana e estratégica para potencializar talentos e ampliar oportunidades. É idealizadora do Elas no Cafezinho, projeto que dá visibilidade às mulheres, fortalece suas vozes e promove conexões para ampliar seu protagonismo. Nesta jornada, dedica especial atenção à liderança feminina, equidade de gênero, desenvolvimento de executivas e presença de mulheres em espaços de decisão, acreditando que representatividade não é apenas ocupar lugares, mas também transformar os caminhos para quem vem depois. Seu propósito: desenvolver pessoas, potencializar talentos e abrir espaço para que mais mulheres ocupem, com protagonismo, os lugares onde decisões acontecem.

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