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Coluna Exclusiva: LUGAR DE MULHER É ONDE ELA DECIDE • por Simone Sommariva Vieira

Não Basta Chegar. É Preciso Ter Voz!

Nos dois primeiros artigos desta coluna, falamos sobre presença, oportunidade e desenvolvimento.

Mas existe uma pergunta que considero ainda mais importante:

O que acontece depois que a mulher chega ao espaço que lutou tanto para conquistar?

Porque ocupar uma cadeira à mesa não significa, necessariamente, ter voz. Estar em uma reunião não significa ser ouvida. Receber um cargo de liderança não significa ter autonomia para decidir.

E ser promovida não deveria significar apenas assumir mais responsabilidades, sem receber o mesmo espaço de influência.

A Diferença Entre Estar Presente e Ter Participação Real

Uma organização pode ter mulheres em cargos estratégicos e, ainda assim, manter uma cultura na qual suas opiniões são constantemente interrompidas, questionadas ou desconsideradas.

Pode promover mulheres e continuar esperando que elas precisem provar sua competência repetidamente. Pode falar sobre diversidade e continuar reconhecendo como “perfil de liderança” apenas comportamentos historicamente associados ao masculino.

É aí que precisamos ampliar a conversa. Equidade não é apenas abrir a porta. É garantir que, depois de entrar, a pessoa tenha condições reais de contribuir, crescer e decidir.

Mulher tendo voz e participação real

O Sentimento de Pertencimento

E isso passa por algo que muitas vezes não aparece nos indicadores: o PERTENCIMENTO.

Uma mulher não deveria precisar deixar de ser quem é para ser reconhecida como uma boa líder. Não deveria precisar endurecer sua comunicação para ser considerada firme. Não deveria precisar suavizar sua opinião para ser considerada agradável.

Não deveria precisar escolher entre competência e autenticidade. E não deveria carregar sozinha a responsabilidade de “se posicionar melhor” em ambientes que não estão dispostos a escutá-la.

Liderança Feminina Não é Cópia de Modelos Existentes

Precisamos permitir que diferentes formas de liderar também sejam reconhecidas como legítimas.

Talvez o verdadeiro avanço aconteça quando deixarmos de perguntar: “Como preparar mulheres para ocuparem esses espaços?” E começarmos a perguntar também: “Como estamos preparando nossas organizações para ouvir, reconhecer e valorizar mulheres nesses espaços?”

A Responsabilidade das Organizações

Porque formar mulheres é fundamental. Abrir oportunidades é fundamental. Desenvolver competências é fundamental.

Mas existe uma parte que pertence às organizações: criar ambientes onde essas mulheres possam exercer seu potencial sem precisar lutar diariamente para provar que merecem estar ali.

É disso que estamos falando quando falamos de equidade. Não de privilégios. Não de substituir um grupo por outro. Mas de ampliar possibilidades. De tornar os critérios mais conscientes. De reconhecer talentos diversos. De garantir que competência, potencial e contribuição tenham espaço para serem vistos.

E, principalmente, de compreender que uma mesa de decisão mais diversa não beneficia apenas as mulheres. Ela amplia perspectivas. Questiona velhos padrões. Traz novas perguntas. E pode produzir decisões mais conectadas com uma sociedade que também é diversa.

Lugar de Mulher é Onde Ela Decide

Mas, para isso, não basta colocá-la na cadeira. É preciso garantir que sua voz tenha espaço na mesa.

E essa responsabilidade não é somente dela. É nossa. É das lideranças. É das organizações. É de todos nós que acreditamos que talento não deveria encontrar barreiras por causa de quem a pessoa é.

No próximo artigo, quero conversar sobre outra questão que atravessa a carreira de muitas mulheres: por que, tantas vezes, elas precisam entregar mais para serem reconhecidas pelo mesmo?

Porque essa também é uma conversa que precisamos ter.

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Simone Sommariva Vieira

Simone Sommariva Vieira

Simone Sommariva Vieira é especialista em Desenvolvimento de Pessoas, Carreira e Potencial Humano, com mais de 20 anos de experiência em Recursos Humanos. Atua conectando pessoas, talentos e organizações por meio de estratégias de desenvolvimento, liderança, empregabilidade e resultados. Com experiência em People & Performance, Talent Acquisition, Talent Development, DHO, Desenvolvimento de Lideranças e Mentoria de Carreira, combina uma abordagem consultiva, humana e estratégica para potencializar talentos e ampliar oportunidades. É idealizadora do Elas no Cafezinho, projeto que dá visibilidade às mulheres, fortalece suas vozes e promove conexões para ampliar seu protagonismo. Nesta jornada, dedica especial atenção à liderança feminina, equidade de gênero, desenvolvimento de executivas e presença de mulheres em espaços de decisão, acreditando que representatividade não é apenas ocupar lugares, mas também transformar os caminhos para quem vem depois. Seu propósito: desenvolver pessoas, potencializar talentos e abrir espaço para que mais mulheres ocupem, com protagonismo, os lugares onde decisões acontecem.

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