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Coluna Exclusiva: MENTE EXECUTIVA • por Alessandra Miliatti

VOCÊ FAZ O QUE DIZ QUE QUER FAZER?

Você sabe que precisa delegar, mas continua centralizando. Sabe que precisa ouvir mais, mas entra na conversa com a resposta pronta. Sabe que precisa cuidar da saúde e organizar sua agenda, mas não consegue estar ausente.

Se você já sabe, por que não faz aquilo que sabe que precisa fazer?

Essa pergunta costuma nos levar rapidamente a uma resposta: falta de disciplina. Mas será mesmo?

O que nos impede de avançar?

Muitas vezes, o que nos impede de avançar é aquilo que ainda não compreendemos sobre a forma como tomamos nossas decisões.

Por trás da centralização excessiva pode existir o medo de ser substituída. Por trás da dificuldade de ouvir, pode estar a necessidade de provar competência. Por trás de uma agenda lotada, pode estar a crença de que gente importante não tem tempo sobrando.

É por isso que executivos não precisam apenas de novos métodos e ferramentas de gestão. Eles precisam desenvolver suas Self Skills: habilidades para compreender e conduzir a si mesmos antes de tentar conduzir o outro em sua trajetória de liderança.

Self Skills: O alicerce da liderança

Quando falo em Self Skills, penso em três habilidades fundamentais:

Nesse contexto, olhar para si não é fazer uma pausa distante do mundo corporativo. É uma ferramenta de evolução profissional.

Quando você compreende seu jeito natural de pensar, sentir e agir, reconhece seus gatilhos e começa a questionar suas crenças, amplia suas possibilidades de escolha. Começa a sair do automático.

O líder que se considera ágil pode estar atropelando o tempo do time. A executiva que se orgulha de seu alto padrão de entrega pode estar criando um ambiente em que ninguém se sente seguro para experimentar e inovar. Quem acredita que está apenas “garantindo a qualidade” talvez esteja impedindo que outras pessoas cresçam na organização e dificultando estratégias de Executive Search e retenção.

O teste da pressão corporativa

Muitas vezes, você sabe o que precisa fazer, mas ainda não entende o que leva você a agir de outra forma.

É quando o prazo aperta que você volta a centralizar. Quando alguém questiona sua ideia, você para de ouvir e começa a se defender. Quando o time erra, sua primeira reação é buscar um culpado, mesmo dizendo que deseja criar um ambiente aberto à inovação.

É nesses momentos que as Self Skills fazem diferença.

Não basta saber que precisa delegar. Você precisa perceber o que faz com que não confie. Não basta defender a importância da escuta. Você precisa reconhecer quando a sua necessidade de ter razão impede o outro de falar. Não basta dizer que quer desenvolver pessoas: você precisa priorizá-las.

O futuro da gestão começa dentro do executivo

Durante muito tempo, preparamos executivos para cuidar de metas, processos, indicadores, projetos e pessoas. Mas dedicamos pouco tempo a ajudá-los a perceber como suas crenças, seus medos e suas reações interferem em tudo isso.

E talvez esse seja um dos grandes desafios da gestão daqui para a frente. Quanto mais rápidas são as mudanças e mais difíceis são as decisões, menos espaço existe para líderes que agem no automático.

Vamos precisar de executivos que consigam perceber o que acontece com eles quando são pressionados, contrariados ou colocados diante de uma decisão difícil. Pessoas capazes de reconhecer suas reações antes de simplesmente despejá-las sobre o time.

Porque desenvolver Self Skills não é apenas investir no crescimento individual de um líder. É melhorar a forma como ele decide, conversa, delega, reage aos erros e conduz as pessoas.

O futuro da gestão começa quando o executivo deixa de olhar apenas para o que precisa fazer e passa a investigar o que, dentro dele, ainda o impede de fazer diferente.

Indicação de Leitura:

Se essa reflexão também provocou você, minha indicação é o livro Self Skills: a chave para a liderança, de Ângelo Accorsi. A leitura amplia essa conversa e nos convida a olhar para o autoconhecimento não como algo separado do trabalho, mas como parte essencial da forma como lideramos.

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Alessandra Miliatti

Alessandra Miliatti

Alessandra Miliatti é profissional de Recursos Humanos, especialista em Cultura, DE&I, Gestão de Talentos e Desenvolvimento de Lideranças, com mais de 20 anos de experiência em grandes empresas como Nissin Foods, Azul Linhas Aéreas, Grupo Baumgart, iFood e Raia Drogasil. Professora convidada de instituições como FDC, Senac SP e Unidrumond, também atua como mentora voluntária em iniciativas do Pacto Global da ONU e do Instituto Semear. Reconhecida como Top Voice do LinkedIn nas temáticas de Carreira e Pontos Fortes, palestrante em importantes eventos nacionais e fundadora da Tudo Talentos, consultoria especializada em gestão e desenvolvimento de talentos. Formada em Administração, possui MBA em Gestão de Projetos e especializações em Educação Ambiental, Change Management, Agile Business e Leadership, Design Thinking, Coaching e CliftonStrengths.

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