Nesta edição especial do blog da Youp Consultoria, conversei com Romulo Correa, Estrategista de IA Generativa (Gemini), LinkedIn Top Voice 2024 e criador do recém-lançado aplicativo Construa Sua Carreira. Discutimos como as mudanças profundas no algoritmo do LinkedIn estão penalizando perfis baseados em velhas dicas de "palavras-chave" e como a Inteligência Artificial pode escalar a autoridade de executivos seniores sem perder a essência humana.
Ainda tem muita gente, incluindo consultores do LinkedIn, pensando que o segredo é usar palavra-chave; escrever uma frase marketeira. Nada disso funciona agora. O resultado é que o algoritmo não vai conseguir identificar qual é a identidade profissional da pessoa, qual é seu tópico de autoridade e em que cluster ele indexa esse perfil no grafo econômico do LinkedIn.
A pessoa pode ter conteúdos ótimos e maravilhosos, mas seu perfil não está alinhado com o conteúdo e, agora, essas duas áreas não estão separadas. São analisadas dinamicamente. Se o algoritmo não conseguir entender o alinhamento entre perfil e conteúdo, ele diminui a visibilidade daquele conteúdo, deixando limitado um pequeno grupo de conexões da pessoa. Em resumo, não dá mais para fazer o perfil baseado em dicas. Estamos num novo momento.
O que nós fizemos foi reunir dezenas de informações técnicas que tivemos acesso, sobre como o algoritmo funciona e traduzimos tudo em um aplicativo. Decidimos começar avaliando as quatro seções mais importantes para o algoritmo. As próximas versões incluirão novas áreas.
O aplicativo levará as respostas a sério e será capaz de detectar qualquer dissonância entre o que o usuário respondeu e o que está publicado no seu perfil. Ele será capaz de sugerir algo diferente se o usuário responder com novas informações. Então, o algoritmo nunca dará uma sugestão genérica. Ele fará todo o possível para criar contexto com as informações já existentes, mas ele usará qualquer nova informação que o usuário incluir no processo.
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Estratégia e Algoritmo: O 360Brew
Como se fazia e se ensinava? A otimização envolvia táticas para manipular o sistema, como o excesso de termos genéricos ou a repetição de palavras exatamente iguais ao longo do texto. Isso funcionava porque o algoritmo apenas contava palavras. Ele quantificava mecanicamente.
Agora, o algoritmo não apenas quantifica sinais mecânicos; ele passa a "ler" e compreender a intenção, a coerência e a semântica de perfis, interações e publicações. O grande diferencial do 360Brew é aplicar um raciocínio semântico profundo, capaz de deduzir a "Autoridade Tópica" de um criador ao cruzar as entidades nomeadas de seu perfil (Título, Empresa, Cargo e Setor, Ferramentas, Métodos, Tecnologias, termos técnicos da área) com a densidade técnica e estrutural que ele encontra no seu perfil e no seu conteúdo também.
Na prática, ele procura por contexto. Por outro lado, ele desconsidera a “conversa fiada” e os “autoelogios” sem uma evidência concreta no texto. Nosso aplicativo faz exatamente essa leitura e indica o que é sinal e o que é ruído.
No perfil, isso significa que não adianta mais dizer “tenho 20 anos de experiência em marketing de varejo”. A pergunta que tanto o algoritmo quanto as pessoas vão procurar responder é: quais foram seus principais resultados e entregas nesses 20 anos? Isso tem que aparecer claramente.
Além disso, é preciso se aprofundar e realmente ter clareza para quem você está falando. Isso é simples de dizer, mas não é óbvio de implementar. Porque é preciso entender do que chamo dos 3Ds (Dores, Desejos e Dúvidas) do seu público. Só assim é possível criar conteúdos que conversam diretamente com seu público. É assim que desenvolvemos o tom de voz adequado.
Por isso, é um erro muito comum, copiar o que os outros estão fazendo. É preciso desenvolver seu próprio tom, avaliando as reações que você recebe. A receita é a mesma para quem busca uma posição dentro de uma corporação, como para quem vende serviços, mas a implementação demanda essa reflexão.
Como ele não dá a mínima para métricas de vaidade, começar a headline com “Top Voice LinkedIn”, “Top 3 no iBest” ou com frases poéticas como “ninja das vendas” é um erro crasso. O algoritmo não faz absolutamente nada com essas frases e a pessoa desperdiçou um lugar importantíssimo na headline, por exemplo.
Alguém pode perguntar se, quem deve ler o perfil não é a pessoa do recrutador. Acontece que o recrutador também está usando filtros de IA para chegar à lista final dos perfis. O LinkedIn lançou novas ferramentas para os recrutadores, que agora também fazem essa análise em milésimos de segundo. Então, gosto de lembrar às pessoas que, antes que um humano encontre seu perfil, ele já foi visto, lido e interpretado pelo algoritmo, e é por isso que você pode ou não aparecer no feed de um recrutador ou passar pelos filtros que ele faz. Nosso aplicativo faz toda essa análise e posso afirmar com segurança que ele funciona melhor ainda, quando se trata de ficar preparado para esses filtros do LinkedIn.
Criação de Conteúdo e Marca Pessoal
Segundo erro é pensar que tem que criar conteúdo todo dia. O resultado é conteúdo ruim, porque a qualidade cai ao longo do tempo. O algoritmo lê o conteúdo e quer densidade de conteúdo. Se o conteúdo é genérico, feito com IA, só para marcar presença, isso agora é muito ruim, porque se ele apresentar o seu conteúdo para uma pessoa e ela rejeitar várias vezes, ele para de mostrar seu conteúdo e entende que não há valor.
Então, é melhor ter consistência, nem que seja 2x por semana, com conteúdos que respeitem o tempo das pessoas e compartilhar algo que alivie uma dor, tire uma dúvida ou atenda a um desejo do que preencher a planilha de publicação com conteúdos rasos.
Mas, quando elas compreendem que marca pessoal é o impacto que ela gera no outro, isso muda tudo. O foco sai do que eu faço para como aquilo que eu sou, com minha história e minhas competências, ajuda as pessoas a resolverem um problema. Eu gosto de dizer que quem diz qual é minha marca pessoal não sou eu. São meus clientes, minha esposa, meus colegas de trabalho. São eles que validam aquilo que receberam de mim, como pessoa e como profissional. Então todos nós temos nossa marca pessoal. Ela está sendo construída e fortalecida diariamente a cada interação.
O medo da exposição acontece porque estamos ainda muito voltados para nós mesmos. Estamos preocupados com nossa performance, nossa aparência, porque o foco e o objetivo ainda não são os outros nem a contribuição que podemos fazer. Quando estamos alinhados e conscientes de qual é nossa marca pessoal, nosso foco é em saber que um conteúdo meu pode ajudar muita gente, e todos nós adoramos ajudar os outros a resolver algum problema.
No método 5 Is (Identidade, Inteligência, Impacto, Influência e Inspiração) eu ajudo as pessoas a fazerem esse alinhamento e terem clareza de como elas podem causar o impacto que sempre desejaram, a partir de um lugar verdadeiro e autêntico.
Carreira, Senioridade e IA
Eu fiz uma revisão de vida e percebi que existiam alguns padrões que estavam presentes ao longo da minha vida. Sempre gostei de pensar estrategicamente, de ensinar e compartilhar conhecimento com pessoas, além de sempre ser fascinado por tecnologia. Por isso, quando comecei a atuar como mentor de executivos, já fiz isso online, usando as ferramentas disponíveis, muito antes da pandemia.
Esse gosto pela novidade tecnológica foi o que me fez criar a primeira página web do banco onde trabalhava no final dos anos 90. Depois, a vontade de trabalhar no digital me fez pedir demissão do banco para trabalhar na primeira agência digital do Brasil, a MediaLab.
Quando a IA generativa chegou, eu tive a mesma sensação que tive no início da Internet. Algo muito revolucionário estava acontecendo, de novo. Comecei a usar ativamente e a compartilhar tudo que estava aprendendo para minha comunidade de criadores de conteúdo. Rapidamente as pessoas começaram a me pedir para criar uma mentoria de IA e daí já surgiram 3 turmas de treinamento em IA generativa, especialmente focada no ecossistema Gemini.
Finalmente, meses atrás, fui procurado por meus atuais sócios para ajudá-los a criar um aplicativo para o LinkedIn, a partir do meu conhecimento do algoritmo do LinkedIn. Então foi um passo natural, uma vez que eu já estava querendo usar a IA com o LinkedIn.
Então, o Google sempre será um dos líderes no mundo da IA. Eu recomendaria a qualquer um que investisse e se aprofundasse em uma ferramenta, antes de sair pulando de galho em galho. O Google é o melhor custo-benefício, na minha opinião. Ele tem o que as outras IAs têm e, se não tem agora, terá na próxima versão; e ele também pode integrar tudo, economizando dinheiro, porque ele sempre tem uma ferramenta similar à que o mercado oferece, aumentando muitas vezes a produtividade na hora de trabalhar colaborativamente.
A minha experiência é que, não importa quem seja, alguns medos e inseguranças são os mesmos. De uma forma ou de outra, estamos imersos no mesmo caldo cultural tecnológico. Podem ter diferenças em ferramentas, mas os efeitos na nossa humanidade são muito parecidos. Uma comparação muito forte, um crítico interno terrível e uma dificuldade de reconhecer seus méritos, honrar sua própria história e entender que só podemos ser nós mesmos.
Visão de Futuro e Legado
Mas, quando comecei a estudar sobre inteligência artificial e sobre o algoritmo do LinkedIn, tive que mergulhar num mundo muito técnico e frio. Minhas leituras mudaram, meu conteúdo mudou, meu tom de voz mudou. Percebi que estava perdendo meu lado mais humano. Então, o que estou procurando fazer agora é voltar a equilibrar as leituras, falar mais sobre mim e cuidar das minhas relações no mundo real, com pessoas reais, com problemas reais.
Esse equilíbrio ou desequilíbrio aparece na rede, e somente com um processo de autovaliação é que chegamos a um equilíbrio que faça sentido para nós. É onde me encontro atualmente.
Mas, como mentor e empreendedor, sei das dores de quem quer crescer no seu negócio usando o LinkedIn. Queremos oferecer ferramentas para esse grupo também. Mas, sobretudo, queremos ouvir o que estão nos pedindo. Já recebemos várias sugestões e estamos anotando todas para as próximas versões. Decidimos lançar com uma funcionalidade e ir aprendendo ao longo do processo, ao invés de criar algo que não foi pedido.
Sobre o Entrevistado
Estrategista de LinkedIn e IA Generativa (Gemini), Romulo Correa transforma track record em autoridade digital. Com 30 anos de vivência corporativa (Michelin, BB) e criador da metodologia "Os 5 Is da Marca Pessoal", mentoreou mais de 500 executivos em 6 países. Reconhecido como LinkedIn Top Voice 2024 e co-criador do App Construa Sua Carreira, ele une pragmatismo técnico e IA para escalar a influência de C-Levels. Siga Romulo no LinkedIn.