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Coluna Exclusiva: LIDERANÇA 4.0 & TECH • por Rogerio Pires

IA: ESTAMOS FICANDO MAIS INTELIGENTES OU APENAS MAIS DEPENDENTES?

A Inteligência Artificial entrou na nossa vida em uma velocidade impressionante.

Hoje ela escreve textos, resume documentos, cria imagens, organiza viagens, prepara apresentações, ajuda estudantes e participa cada vez mais das decisões dentro das empresas.

E os números mostram o tamanho dessa transformação: em 2025, 88% das organizações pesquisadas pela McKinsey disseram utilizar IA em pelo menos uma área do negócio.

Eu acredito muito no potencial dessa tecnologia. Mas justamente por acreditar, penso que precisamos conversar também sobre o outro lado dessa transformação.

Porque existe uma diferença importante entre usar a IA como ferramenta e começar a depender dela.

Estamos deixando de pensar?

Esse talvez seja o ponto que mais me preocupa.

Quanto mais fácil fica obter uma resposta, maior é a tentação de deixar de construir a nossa própria.

Estamos ficando mais inteligentes ou dependentes da Inteligência Artificial?

Um estudo da Microsoft Research e da Carnegie Mellon analisou 936 situações reais de uso de IA por 319 profissionais e encontrou uma relação que merece atenção: quanto maior a confiança depositada na IA, menor tendia a ser o esforço de pensamento crítico relatado nas tarefas.

Isso não significa que a IA esteja nos tornando menos inteligentes.

Mas precisamos pensar no que acontece quando passamos a utilizá-la para escrever, pesquisar, analisar e decidir praticamente tudo.

O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das habilidades utilizadas pelos trabalhadores serão transformadas ou poderão se tornar obsoletas até 2030. Ao mesmo tempo, pensamento analítico, criatividade e capacidade de adaptação continuam entre as competências valorizadas para o futuro.

Talvez o desafio não seja competir com a IA, mas aprender a utilizá-la sem deixar de exercitar aquilo que continua sendo essencialmente nosso: senso crítico, experiência, criatividade e julgamento em posições de liderança e Executive Search.

Existe também uma conta

Existe uma percepção de que IA significa automaticamente redução de custos.

Nem sempre.

Quanto mais ela entra no cotidiano das empresas, maiores também podem ser os gastos com ferramentas, sistemas, segurança e treinamento.

Uma pesquisa da Deloitte mostrou que 85% das organizações aumentaram seus investimentos em IA, mas apenas 6% disseram obter retorno satisfatório em menos de um ano em um projeto típico. Para muitas, esse retorno pode levar de dois a quatro anos.

Isso reforça algo em que acredito há muito tempo: tecnologia não deveria ser adotada simplesmente porque está disponível.

Antes de perguntar “onde podemos colocar IA?”, talvez seja melhor perguntar: “Qual problema queremos resolver com ela?”

E quem controla tudo isso?

Existe ainda uma questão que vai além de dinheiro.

Todos os dias colocamos informações em ferramentas de IA: documentos, contratos, dados de clientes, estratégias, apresentações e até informações pessoais.

Muitas vezes sem pensar muito sobre o que estamos compartilhando.

Um levantamento da IBM mostrou que 63% das organizações analisadas após violações de dados não possuíam políticas de governança de IA.

Por isso, governança não pode ser entendida como burocracia ou como uma forma de impedir o uso da tecnologia.

É justamente o contrário.

Precisamos aprender onde utilizar IA, quais informações podem ser compartilhadas, quais decisões precisam continuar nas mãos das pessoas e, principalmente, quem será responsável quando alguma coisa der errado.

Podemos pedir para uma máquina analisar informações, apresentar alternativas e recomendar caminhos.

Mas existe algo que não deveríamos terceirizar: a responsabilidade pela decisão.

Então devemos ter medo da IA?

Eu não acredito nisso.

Os benefícios são enormes e estamos apenas começando a descobrir o que essa tecnologia será capaz de fazer.

Mas também não acredito que devemos aceitar tudo sem questionar.

A IA deveria ampliar nossa inteligência, e não substituí-la.

Deveria nos ajudar a pesquisar melhor, eliminar tarefas repetitivas, analisar mais informações e liberar tempo para aquilo que realmente exige julgamento humano.

Talvez uma das habilidades mais importantes daqui para frente não seja apenas saber utilizar Inteligência Artificial.

Será também saber quando utilizá-la, quando questioná-la e quando simplesmente não utilizá-la.

Porque talvez o maior risco da IA não seja ela aprender a pensar como nós.

Talvez seja nós nos acostumarmos a não pensar sem ela.

E essa discussão não pertence apenas às empresas ou aos profissionais de tecnologia.

Pertence a todos nós.

Até a Próxima !!!

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Rogerio Pires

Rogerio Pires

Executivo de Tecnologia e Operações com mais de 20 anos de experiência conectando estratégia, tecnologia, processos e pessoas aos resultados do negócio. Trajetória construída em empresas como The Walt Disney Company, JHSF, Cyrela, Grupo TV1, e SoldaLider, liderando transformação digital, ERP, dados, IA, cloud, cibersegurança, governança e eficiência operacional no Brasil, América Latina e Estados Unidos. Experiência em ambientes de alta complexidade, gestão de equipes, orçamento, fornecedores e operações multidisciplinares, com entregas relacionadas à produtividade, redução de custos, geração de caixa e crescimento.

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