in wa
Coluna Exclusiva: ESTRATÉGIA PARA CARREIRAS GLOBAIS • por Elisa Timoteo

CARREIRA INTERNACIONAL: VAI MUITO ALÉM DO INGLÊS

Muito se fala sobre a importância de ter inglês fluente para conseguir trabalhar no exterior.

Acredite, eu também pensava assim, até conquistar minha primeira oportunidade de RH na Irlanda, com inglês B1, em um dos maiores grupos hoteleiros do país.

Afinal, o inglês é importante? Com certeza. Mas, para muitas oportunidades internacionais, a questão não está apenas no nível de inglês, mas na capacidade de se comunicar. E existe uma diferença entre essas duas coisas.

Ser fluente não significa necessariamente dominar todas as palavras ou expressões de um idioma.

É conseguir entender e ser entendido, mesmo quando é preciso encontrar outras formas de explicar uma ideia, recorrer a um vocabulário mais simples ou reformular uma frase.

Essa experiência me fez perceber que trabalhar em um ambiente internacional exige muito mais do que conhecimento de outro idioma. Existem habilidades que fazem diferença tanto para conquistar uma oportunidade quanto para se desenvolver depois dela.

A carreira internacional exige constância e tolerância à frustração

Uma carreira internacional não é construída da noite para o dia. Exige planejamento, objetivos de curto, médio e longo prazo e, principalmente, constância.

Nem sempre os resultados aparecem no tempo que esperamos. É preciso lidar com processos seletivos sem retorno, oportunidades que não avançam e momentos em que parece que o esforço não está sendo suficiente.

Habilidades e Desafios de uma Carreira Internacional

Imagem gerada por IA

Outro desafio é não deixar que o medo do julgamento impeça a comunicação. Por melhor que seja o seu inglês ou o domínio do idioma local, no início é natural sentir insegurança, não conhecer determinadas expressões ou precisar usar um vocabulário mais simples para transmitir uma ideia.

O importante é não confundir essas limitações com falta de competência profissional. Aprender a se comunicar em outro idioma enquanto se trabalha exige tempo e disposição para errar, ajustar e continuar.

Adaptabilidade: trabalhar com diferentes repertórios culturais

Depois de conquistar uma vaga, começa outro desafio: aprender a trabalhar com pessoas que têm referências culturais, experiências e formas de pensar diferentes das suas.

A maneira de dar feedback, conduzir reuniões, tomar decisões ou construir relacionamentos profissionais pode variar bastante entre culturas e até entre empresas de um mesmo país.

Ser adaptável não significa concordar com tudo ou abandonar a própria forma de trabalhar.

Significa compreender que seu repertório não é universal e desenvolver a capacidade de observar, escutar e ajustar sua comunicação de acordo com o contexto.

Essa habilidade se torna especialmente importante quando trabalhamos em equipes multiculturais, nas quais diferenças de percepção podem influenciar a colaboração e a tomada de decisão.

Resiliência: o esforço invisível de trabalhar em outro idioma

Existe um desgaste que nem sempre é percebido por quem nunca precisou trabalhar diariamente em outro idioma.

No início, atividades que parecem simples podem exigir muito mais concentração. Participar de uma reunião, interpretar diferentes sotaques, acompanhar uma conversa rápida e, ao mesmo tempo, organizar uma resposta consomem energia mental.

Em alguns momentos, dois dias de trabalho podem parecer duas semanas, pelo cansaço mental que esse esforço causa. Não necessariamente porque a atividade seja mais complexa, mas porque o cérebro está se adaptando a um ambiente linguístico diferente.

É nesse contexto que a resiliência se torna importante. Não se trata de ignorar o cansaço ou exigir uma adaptação imediata, mas de reconhecer o processo, respeitar o próprio ritmo e continuar desenvolvendo a capacidade de atuar com segurança e liderança.

Visibilidade profissional: não basta fazer bem, é preciso comunicar seu valor

Uma habilidade que considero especialmente importante é aprender a se posicionar.

Em um ambiente internacional, entregar um bom trabalho é fundamental. Mas isso, por si só, nem sempre garante que suas contribuições sejam percebidas.

É preciso aprender a comunicar resultados, participar de discussões, compartilhar ideias e construir relações profissionais. Em outras palavras, desenvolver uma visibilidade estratégica durante o seu desenvolvimento ou mesmo em processos de Executive Search globais.

Isso não significa transformar o trabalho em autopromoção. Significa compreender que, quando você não comunica o que faz, as decisões que toma e os resultados que entrega, outras pessoas podem não ter clareza sobre sua contribuição.

Essa habilidade é relevante em diferentes mercados e culturas organizacionais, embora a forma de construir visibilidade varie de uma empresa para outra.

Ps.: percebe que este ponto não é tão diferente comparado ao Brasil?

Trabalhar internacionalmente também é aprender continuamente

Quando pensamos em carreira internacional, é comum concentrar toda a atenção no idioma, no currículo e na conquista da primeira oportunidade.

Mas a experiência não termina quando a vaga chega. É justamente no cotidiano de trabalho que precisamos desenvolver outras habilidades: compreender diferentes perspectivas, lidar com inseguranças, adaptar a comunicação e construir relações em contextos culturais diversos.

Minha experiência na Irlanda me mostrou que não é necessário esperar até atingir um nível perfeito de inglês para começar. É preciso, sim, desenvolver a capacidade de se comunicar, aprender e se adaptar.

No fim, atuar com times internacionais não é apenas falar outro idioma.

É sobre aprender a trabalhar com pessoas que enxergam o mundo de maneiras diferentes e encontrar formas de construir resultados em conjunto.

Falar com um Especialista ➔ ← Voltar para a Página Inicial
Elisa Timoteo

Elisa Timoteo

Elisa Timoteo é especialista em Recursos Humanos, recrutamento internacional e desenvolvimento de carreiras, com quase 13 anos de experiência no Brasil e no exterior. Possui especialização em Marketing e Sales pela University of Akron, em Ohio, nos Estados Unidos, e vivência profissional na Irlanda e em Portugal. Atua na interseção entre gestão de pessoas, liderança de equipes multiculturais e estratégias de carreira internacional. Atualmente, é consultora de carreira e aborda temas como diversidade cultural, desenvolvimento de talentos, posicionamento profissional e os desafios da gestão de pessoas em um mercado de trabalho cada vez mais globalizado.

Conectar no LinkedIn