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Coluna Exclusiva: LUGAR DE MULHER É ONDE ELA DECIDE • por Simone Sommariva Vieira

QUEM PATROCINA A CARREIRA DAS MULHERES? RECONHECER TALENTOS É DIFERENTE DE ABRIR CAMINHOS!

Uma mulher pode ser competente, comprometida, entregar resultados consistentes e demonstrar potencial para assumir novos desafios. Ainda assim, sua carreira pode avançar mais lentamente do que poderia.

Não necessariamente por falta de preparo. Nem sempre por falta de reconhecimento. Às vezes, falta alguém disposto a abrir uma porta.

Alguém que mencione seu nome quando surge uma oportunidade, que apresente seu trabalho às pessoas certas, que defenda seu potencial em uma reunião estratégica ou que a indique para um projeto capaz de transformar sua trajetória profissional.

Porque existe uma diferença importante entre reconhecer o talento de alguém e se comprometer com o desenvolvimento desse talento.

E é sobre essa diferença que precisamos conversar.

Ser reconhecida é importante. Ser recomendada pode mudar uma trajetória.

No ambiente corporativo, costumamos falar sobre competência, desempenho, qualificação e resultados como fatores determinantes para o crescimento profissional.

E eles são fundamentais. Mas existe outro elemento que merece atenção: o acesso às oportunidades.

Quem se lembra de você quando surge uma posição estratégica? Quem conhece suas entregas além da sua equipe imediata? Quem apresenta seu trabalho a outras lideranças? Quem está disposto a defender sua candidatura quando você não está presente para falar por si mesma em processos de Executive Search interno?

Essas movimentações nem sempre aparecem nos planos de desenvolvimento, mas podem influenciar significativamente uma trajetória profissional.

É nesse contexto que entra o patrocínio de carreira, também conhecido como career sponsorship.

Diferentemente de uma pessoa que apenas aconselha, orienta ou compartilha experiências, quem patrocina uma carreira utiliza sua credibilidade, sua influência e seu acesso para ajudar outra pessoa a conquistar oportunidades concretas.

Não se trata de conseguir vantagens indevidas.

Trata-se de tornar competências e potenciais conhecidos, defender oportunidades justas e permitir que profissionais preparados sejam considerados para desafios compatíveis com sua capacidade.

Mas todas as pessoas têm o mesmo acesso a essas portas?

Essa é uma pergunta importante.

O acesso a redes de relacionamento, lideranças influentes e oportunidades estratégicas pode variar muito de uma pessoa para outra.

Alguns profissionais encontram, ao longo da carreira, pessoas que os incentivam, indicam e apresentam a novos espaços. Outros precisam construir essa rede praticamente do zero.

A diferença entre reconhecer talentos femininos e abrir caminhos

E, quando observamos as trajetórias das mulheres, vale investigar como os critérios de confiança, identificação e escolha de sucessores podem influenciar quem recebe esse tipo de apoio.

Quem costuma ser lembrado para representar a empresa em um projeto importante? Quem é convidado para conversas estratégicas? Quem recebe incentivo para se candidatar a uma posição de liderança?

Quando as oportunidades circulam sempre entre as mesmas pessoas, existe o risco de que talentos igualmente preparados permaneçam fora do radar.

Nem sempre isso acontece por uma decisão deliberada de excluir alguém. Às vezes, é resultado de hábitos, relações já estabelecidas e escolhas feitas com base em quem a liderança conhece melhor.

Mas a ausência de intenção discriminatória não elimina a necessidade de rever os resultados dessas práticas.

Se as oportunidades dependem de quem conhece você, o talento de quem ainda não foi visto pode continuar invisível.

Mentoria orienta. Patrocínio movimenta.

Na gestão de pessoas, é importante compreender que diferentes formas de apoio cumprem funções distintas.

A mentoria ajuda a refletir sobre escolhas, desenvolver competências, identificar pontos fortes e planejar os próximos passos.

O patrocínio acrescenta uma dimensão prática: alguém coloca sua reputação profissional em jogo ao defender que outra pessoa seja considerada para uma oportunidade.

Uma mentora pode ajudar uma profissional a se preparar para uma posição de liderança. Uma pessoa patrocinadora pode indicar seu nome para essa posição, apresentá-la a quem conduz a seleção ou defender sua participação em um projeto estratégico.

As duas formas de apoio podem ser valiosas e complementares.

O problema começa quando as organizações investem no desenvolvimento das mulheres, oferecem capacitações e programas de liderança, mas não observam quem realmente recebe as oportunidades para colocar esse aprendizado em prática.

Preparar profissionais é essencial. Criar caminhos para que possam avançar também é. Não basta dizer que ela está pronta. É preciso considerá-la.

Quantas profissionais participam de programas de desenvolvimento, ampliam suas qualificações e apresentam bons resultados, mas continuam esperando a oportunidade de demonstrar seu potencial em posições de maior responsabilidade?

O desenvolvimento não deveria terminar na capacitação.

Ele precisa estar conectado a oportunidades reais, critérios transparentes e decisões coerentes sobre movimentação e crescimento profissional.

Isso exige que as lideranças conheçam os talentos de suas equipes, ampliem suas redes de identificação de potenciais e questionem escolhas feitas apenas por familiaridade ou proximidade.

Exige também que as organizações acompanhem quem é indicado para projetos estratégicos, quem recebe oportunidades de exposição, quem participa dos planos de sucessão e quais profissionais efetivamente avançam.

Não para substituir o mérito por indicações, mas para evitar que a falta de acesso impeça o mérito de ser considerado.

Uma oportunidade justa não dispensa competência. Ela permite que a competência entre na disputa.

E quem já ocupa posições de influência tem responsabilidade nisso?

Acredito que sim.

Liderar também significa reconhecer talentos para além daqueles que já são conhecidos, ouvir trajetórias diferentes da nossa e utilizar a própria influência para ampliar oportunidades.

Significa indicar uma profissional preparada, reconhecer publicamente uma contribuição, incluí-la em uma discussão estratégica e defender critérios de promoção que não dependam exclusivamente de afinidade pessoal.

Não é fazer um favor.

É assumir responsabilidade pelo desenvolvimento de pessoas e pela construção de ambientes em que o potencial possa ser identificado e aproveitado.

E existe algo importante nessa reflexão: mulheres que conquistam espaços de influência também podem contribuir para ampliar caminhos para outras mulheres.

Mas essa responsabilidade não deve recair exclusivamente sobre elas.

O patrocínio de carreira precisa fazer parte da cultura de desenvolvimento de talentos, envolvendo lideranças de diferentes perfis e níveis hierárquicos.

A equidade não se constrói apenas com quem enfrenta as barreiras. Também depende de quem tem condições de ajudar a removê-las.

Abrir caminhos é uma decisão de liderança

Quando uma organização afirma que valoriza o desenvolvimento humano, precisa olhar para além dos treinamentos oferecidos e das competências mapeadas.

Precisa observar como as pessoas são lembradas, indicadas, apoiadas e escolhidas.

Precisa perguntar se os talentos estão sendo reconhecidos por suas entregas e se estão recebendo oportunidades compatíveis com seu potencial.

Porque uma carreira não se constrói apenas com aquilo que uma pessoa sabe fazer. Ela também é influenciada pelos espaços aos quais consegue ter acesso e pelas pessoas que reconhecem seu potencial e estão dispostas a defendê-lo.

Não podemos prometer que toda indicação resultará em uma promoção. Nem devemos esperar que alguém avance sem demonstrar preparo para os desafios que deseja assumir.

Mas podemos construir ambientes em que profissionais competentes não dependam exclusivamente da sorte de serem descobertos.

Quem está usando sua influência para abrir caminhos?

Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes para quem ocupa posições de liderança.

Não apenas quantos talentos você reconhece, mas quantos você ajuda a desenvolver, quantos apresenta a novas oportunidades e quantos defende quando chega o momento de tomar decisões.

E, para quem está construindo a própria carreira, fica também uma reflexão: além de desenvolver competências e entregar resultados, como ampliar sua rede de relacionamentos, tornar suas contribuições conhecidas e construir conexões profissionais genuínas?

Cada pessoa tem uma trajetória, condições e desafios diferentes. Por isso, não podemos transformar o acesso às oportunidades em mais uma responsabilidade exclusivamente individual.

Organizações precisam criar processos justos. Lideranças precisam assumir seu papel. E redes profissionais precisam ser espaços de troca, confiança e desenvolvimento.

Porque reconhecer um talento é importante.

Mas usar sua influência para que esse talento tenha a oportunidade de crescer pode transformar uma carreira.

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Simone Sommariva Vieira

Simone Sommariva Vieira

Simone Sommariva Vieira é especialista em Desenvolvimento de Pessoas, Carreira e Potencial Humano, com mais de 20 anos de experiência em Recursos Humanos. Atua conectando pessoas, talentos e organizações por meio de estratégias de desenvolvimento, liderança, empregabilidade e resultados. Com experiência em People & Performance, Talent Acquisition, Talent Development, DHO, Desenvolvimento de Lideranças e Mentoria de Carreira, combina uma abordagem consultiva, humana e estratégica para potencializar talentos e ampliar oportunidades. É idealizadora do Elas no Cafezinho, projeto que dá visibilidade às mulheres, fortalece suas vozes e promove conexões para ampliar seu protagonismo. Nesta jornada, dedica especial atenção à liderança feminina, equidade de gênero, desenvolvimento de executivas e presença de mulheres em espaços de decisão, acreditando que representatividade não é apenas ocupar lugares, mas também transformar os caminhos para quem vem depois. Seu propósito: desenvolver pessoas, potencializar talentos e abrir espaço para que mais mulheres ocupem, com protagonismo, os lugares onde decisões acontecem.

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