Imagem Capa: Tomaz Silva_Agência Brasil
Embora o Brasil registre uma tendência histórica de queda na taxa geral de desocupação (fixada em 5,8%), a população jovem continua enfrentando barreiras severas de entrada no mercado formal. Segundo dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do IBGE referentes ao balanço consolidado de 2025, a taxa de desemprego na faixa entre 18 e 24 anos alcança 13,8% — marca que supera o dobro da média nacional. Para o grupo de 14 a 17 anos, o índice salta para 19,9%, revelando que quase um quinto dos adolescentes brasileiros que tentam trabalhar permanecem sem oportunidade.
A urgência desse debate antecede a celebração do Dia da Juventude do Brasil, comemorado em 22 de setembro. Como resposta a esse abismo estrutural, os programas de socioaprendizagem bateram recorde absoluto no último ano, totalizando 715 mil efetivações formais de jovens entre 14 e 24 anos em todo o país. Longe de representar apenas o cumprimento de cotas obrigatórias, o modelo tem se provado uma engrenagem tática na formação de cultura e retenção de talentos em corporações do setor privado.
A jornada do acolhimento ao desenvolvimento profissional
Em polos econômicos fora do eixo Rio-SP, a contratação de aprendizes tem demonstrado grande capilaridade. O estado de Goiás ocupa a quinta colocação nacional em volume de contratações nessa faixa etária, movimentando mais de 8.500 jovens ativos no programa via Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds). A experiência prática mostra que superar o nervosismo da "primeira oportunidade" depende da capacidade de acolhimento das lideranças corporativas.
Um exemplo da rotina de inserção é vivenciado por Geovana Moreira Martins, de 19 anos. Cursando a faculdade de Psicologia, ela divide o dia entre as aulas e a atuação administrativa no braço de construção civil da FGR Incorporações, em Aparecida de Goiânia. "Eu não tinha nenhuma experiência de trabalho, o que torna tudo mais difícil para quem é jovem. O programa acolhe de fato. Aprendi a me relacionar com pessoas de diferentes formações, idades e vivências", pontua Geovana, que atua no controle de ponto e rotinas de departamento pessoal da companhia.
De Menor Aprendiz a acionista da companhia
O maior indicador de eficiência da socioaprendizagem, contudo, é a viabilidade do plano de carreira de longo prazo. Foi pela porta de entrada do Jovem Aprendiz que a contadora Denise Rodrigues iniciou sua trajetória na FGR Incorporações em 2011, aos 16 anos. Começando no arquivo geral de documentos da empresa, Denise percorreu diferentes etapas de promoção até assumir a coordenação contábil do grupo e, recentemente, ser convidada para se tornar acionista da corporação.
"Cheguei com muito nervosismo e insegurança por ser minha primeira experiência profissional. O ambiente de respeito e cordialidade me deu confiança para crescer. Ver onde consegui chegar após 15 anos e o quanto ainda posso evoluir me emociona profundamente", relata a executiva.
O jovem aprendiz como "talento em construção"
Para o setor de Recursos Humanos, encarar o aprendiz apenas como mão de obra temporária é desperdiçar a chance de moldar lideranças alinhadas à cultura interna da empresa. "O programa tem um papel vital na formação de carreira. Mais do que cumprir uma função social, a socioaprendizagem contribui para a construção de disciplina, aprendizado técnico e desenvolvimento de inteligência comportamental", avalia Rafael Carlos Gonçalves, especialista em Gestão de Pessoas e coordenador de RH da FGR Incorporações.
Rafa Neddermeyer /Agência Brasil
Segundo o executivo, o segredo da retenção está em enxergar esses profissionais como investimentos de longo prazo. "Dentro da nossa política de RH, os aprendizes são talentos em construção. Proporcionamos um ambiente onde eles se sintam seguros para desenvolver habilidades e construir uma trajetória real. Quando o ambiente acolhe e desafia de forma equilibrada, o resultado se converte em lealdade e inovação para a companhia", conclui.
Com informações da assessoria Comunicação Sem Fronteiras e dados estatísticos do IBGE, MTE e Seds.