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A adoção da Inteligência Artificial avançou rapidamente nas rotinas operacionais, mas esbarrou em um gargalo sistêmico. Segundo a mais recente pesquisa global divulgada pela consultoria Cloudera, embora 77% das companhias já utilizem a tecnologia, expressivos 95% admitiram ter adiado ou cancelado projetos de IA nos últimos 12 meses por falhas na governança de dados, conformidade e lacunas estruturais. Para o economista e executivo Rica Mello, o diagnóstico para esse índice de fracasso é claro: a tecnologia não pode operar isolada de uma forte gestão de processos.
Mello, que consolidou sua carreira estratégica atuando em gigantes como McKinsey & Company e Bain & Company, aponta que o grande erro do C-Level atual é enxergar a ferramenta como o ponto de partida. “A IA abre oportunidades massivas de produtividade, mas não se trata de colocar inteligência artificial em tudo. O empresário precisa entender onde existe um gargalo, organizar o processo, definir o resultado que espera e só então avaliar o papel da tecnologia. A IA não é uma novidade tecnológica, mas sim uma ferramenta de gestão", explica.
Redesenho de fluxos e acesso democratizado
De acordo com dados complementares do estudo TIC Empresas 2025, do Cetic.br, o uso da IA saltou de 38% para 50% entre as grandes corporações brasileiras, e avançou de 10% para 15% entre as pequenas e médias empresas (PMEs). Desse volume, a grande maioria optou por comprar softwares "de prateleira". Com as barreiras de aquisição caindo, Mello argumenta que possuir o algoritmo deixou de ser um diferencial; a verdadeira vantagem competitiva está na adaptação operacional.
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Uma pesquisa da McKinsey referenda essa visão, demonstrando que as organizações que extraem os maiores ganhos financeiros da IA são quase três vezes mais propensas a redesenhar de forma profunda seus fluxos operacionais internos. "Quando a IA interfere em atendimento, no P&L comercial ou no financeiro, passa a ser uma discussão estritamente de gestão. A automação é poderosa apenas quando aplicada ao processo certo", pontua Mello, sugerindo que a implantação deve começar com o saneamento da "casa".
Para as PMEs, a barreira de custo foi derrubada. Atividades que antes demandavam capital intensivo, como a estruturação comercial, relatórios cruzados e atendimento ao cliente, podem ser otimizadas sem a necessidade de escalar agressivamente a força de trabalho (Opex). “Uma PME talvez não consiga contratar cinco pessoas para uma determinada área, mas pode usar tecnologia para aumentar a capacidade da sua equipe atual. O empresário consegue fazer mais com a estrutura que já possui, desde que saiba transformar as recomendações da máquina em execução”, conclui o economista.
Sobre Rica Mello: Economista pela USP, possui MBA pela Kellogg School of Management e atuou por dez anos como consultor nas globais McKinsey e Bain & Company. Hoje opera empresas em setores variados como indústria, e-commerce e educação, aliando gestão estratégica à implementação de inteligência tecnológica.
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