Crédito: Juarez e Nelson Martini / Galeria de Fotos do Release
Juarez e Nelson Martini transformaram uma incipiente operação noturna, instalada no porão da casa da família, em uma das principais marcas brasileiras de organização e utilidades domésticas. Hoje, passadas mais de três décadas da fundação, a companhia batizada de Ou conta com um quadro de 400 colaboradores, produtos exportados para 30 países e um vigoroso crescimento de 26% em 2025. Para os executivos, o combustível desse salto mercadológico foi o entendimento precoce sobre gestão e a habilidade de ancorar a sociedade familiar justamente nas diferenças estratégicas entre os irmãos.
O início das operações refletiu um modelo enxuto de complementaridade. Nelson trazia o conhecimento técnico da área de injeção plástica e o desejo de adquirir maquinário para gerar renda prestando serviços terceirizados. Do outro lado, Juarez percebeu que sua expertise administrativa poderia tracionar o negócio. “Quando ele falou sobre a possibilidade de adquirir uma injetora, disse que, se ele seguisse por esse caminho, eu entraria na sociedade sem dúvida. Foram algumas conversas até tomarmos a decisão”, detalha Juarez Martini, atual CEO da Ou. Durante os primeiros sete anos, os irmãos mantiveram seus empregos formais, reservando as noites e os sábados para conciliar o controle de fluxo de caixa e a linha de produção.
O calote que redesenhou o modelo de negócio
A ambição original não projetava uma marca global. “Não tínhamos a menor ideia de que alcançaríamos o tamanho que a Ou tem hoje. Nosso objetivo era somente trabalhar com terceirização de injeção. Não pensávamos em produtos próprios”, pontua Nelson Martini, hoje diretor industrial da companhia.
O curso da organização mudou forçadamente diante de uma adversidade comercial: um cliente declarou falência e deixou uma considerável dívida em aberto. Para liquidar o passivo, os fundadores aceitaram como acerto o molde de uma xícara térmica, decidindo então fabricar e inserir o produto no mercado. “Não tínhamos muitas alternativas. Era aproveitar a oportunidade de ter um produto próprio para recuperar o valor que nos deviam. Não houve divergência entre nós. Entendemos que era o melhor caminho, decidimos juntos e seguimos”, argumenta o CEO. Essa transição marcou a entrada definitiva da Ou no mercado de utilidades domésticas com portfólio proprietário, alavancando também sua inserção internacional — as exportações da empresa cresceram 29% no primeiro semestre de 2026 e já representam 12% do volume de negócios.
Crédito: Juarez e Nelson Martini / Galeria de Fotos do Release
A profissionalização rumo à sucessão
A solidez da sociedade foi construída em cima das linhas demarcadas pelas competências individuais. “Hoje podemos dizer que ainda bem que temos personalidades e características diferentes. O que não pode faltar é respeito. Quando um toma uma decisão, mesmo que o outro não concorde totalmente naquele momento, existe apoio e depois alinhamos os fatos”, explica Nelson.
Com a tração contínua dos negócios, a divisão intuitiva das primeiras décadas evoluiu para uma governança corporativa madura. Em 2025, a Ou iniciou os preparativos formais visando a estruturação de seu processo de sucessão executiva. Grande parte do peso decisório operacional está hoje diluído entre as lideranças setoriais, permitindo que a família fundadora mantenha o foco nos movimentos de capital e estratégia macro.
“Em todas as fases erramos e enfrentamos desafios. É importante não perder a identidade e saber de onde você veio. Nem sempre você tem razão, então é preciso aprender a escutar muito”, finaliza Juarez, reafirmando que, três décadas depois do primeiro maquinário no porão, ele escolheria Nelson como sócio novamente.
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