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Radar Executivo

Desigualdades sociais têm baixa presença no índice de sustentabilidade da B3, revela estudo da UniCesumar

Por Equipe Editorial Youp

Foto: Unsplash

O principal índice de sustentabilidade empresarial do Brasil, o ISE B3, prioriza critérios técnicos e operacionais em detrimento de metas sociais profundas, como equidade e inclusão. É o que revela um recente estudo conduzido por pesquisadores da UniCesumar, publicado na revista científica Universidad y Empresa. A análise aponta que a baixa presença de indicadores focados na redução de desigualdades limita o impacto da agenda ESG no mercado de capitais brasileiro, influenciando diretamente as decisões e prioridades das companhias listadas na bolsa de valores.

De acordo com o levantamento, intitulado "2030 Agenda and CSI B3", critérios práticos e de verificação documental recebem muito mais peso nos questionários do índice do que temáticas complexas, como a desigualdade salarial, a retenção de grupos sub-representados e a participação plena de mulheres em cargos de liderança executiva.

O contraste entre compliance e mudança cultural

O ISE B3, criado em 2005 para orientar investidores e balizar as práticas ESG do mercado, adota um questionário abrangente para ranquear as organizações. A pesquisa avaliou especificamente as dimensões "Capital Humano" e "Capital Social" do documento, cruzando as questões com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Dos centenas de itens presentes nessas dimensões, os acadêmicos identificaram apenas 22 enunciados alinhados de fato às metas de redução das desigualdades.

Desta amostra, a maior fatia (dez menções) aborda a proteção aos direitos trabalhistas e a segurança (ODS 8.8). Na contramão, a inserção efetiva de mulheres no alto escalão gerencial e no conselho (ODS 5.5) conta com apenas uma pergunta específica. O tópico de "Garantia do Bem-Estar do Consumidor" apresentou um alinhamento social de apenas 3%, enquanto temas focados em gestão de risco, como "Segurança de Dados", dominam até 26% do espectro de análise do bloco.

“Enquanto saúde e segurança no trabalho têm respaldo forte na legislação brasileira, equidade racial e de gênero ainda não têm o mesmo tipo de cobrança. O resultado é que o índice reflete essa assimetria: mede bem o que é fácil de fiscalizar e mede pouco o que exige mudança cultural nas empresas”, avalia Marcos Aurélio Brambilla, professor do Programa de Pós-Graduação em Gestão do Conhecimento nas Organizações (PPGGCO) da UniCesumar e coautor da pesquisa.

O impacto no ecossistema corporativo

Para o ambiente de negócios e o C-Level das corporações, os dados levantados acendem um alerta crítico sobre a qualidade dos relatórios de sustentabilidade. O índice dita a pauta do que o mercado considera prioritário; logo, lacunas nas medições sociais podem ocultar gargalos nos processos de promoção, remuneração e distribuição de bônus atrelados à diversidade.

“O que encontramos é que o ISE B3 trata diversidade, equidade e direitos humanos como um item a mais no checklist, e não como um compromisso estrutural. Isso limita a capacidade do índice de capturar o que a Agenda 2030 propõe”, complementa Maria Lígia Ganacim Granado Rodrigues Elias, também professora do PPGGCO e coautora do artigo.

Como contraponto, o estudo sugere que a B3 adote práticas de outros *benchmarks* globais, a exemplo do índice internacional FTSE, que exige a abertura clara de dados sobre a diferença salarial de gênero. Os pesquisadores recomendam a incorporação de métricas tangíveis de retenção e tempo médio de promoção demográfica, transformando a equidade em um ativo comparável e auditável pelo mercado investidor.

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