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Oito em cada dez empregadores no Brasil enfrentam sérias dificuldades para encontrar profissionais com as competências exigidas pelo mercado em 2026. O dado da mais recente Pesquisa de Escassez de Talentos, conduzida pelo ManpowerGroup, acende um alerta vermelho para o C-Level: crescer e expandir operações não depende apenas de capital, mas de quem vai gerenciar o novo volume de negócios. Diante desse apagão técnico, 44% das companhias já priorizam a capacitação de quem está dentro de casa.
A estratégia de requalificação (upskilling) ganha contornos de urgência quando a empresa escala. Segundo Marcelo Simonato, administrador e vice-presidente da Board Academy — edtech global voltada à formação executiva —, o crescimento exige uma mudança estrutural na distribuição do poder. "Uma empresa que cresceu não pode continuar tomando decisões da mesma maneira de quando tinha uma estrutura menor. Chega um momento em que é preciso ampliar a autonomia, distribuir responsabilidades e preparar mais pessoas para participar das decisões", decreta o executivo.
A dificuldade de delegar e a mudança no papel do gestor
A transição da execução técnica para a cadeira de liderança não ocorre por gravidade. O Global Leadership Forecast 2025, elaborado pela consultoria DDI com mais de 10 mil líderes, apontou que 81% dos gestores em ascensão falham consistentemente no quesito "delegação". A falta dessa habilidade trava a operação, gerando gargalos nos cargos de diretoria.
“Um excelente profissional técnico pode se tornar um ótimo gestor, mas essa passagem precisa ser construída. Liderar envolve estabelecer prioridades, desenvolver pessoas, acompanhar resultados e entender quando decidir sozinho e quando envolver outras áreas", explica Simonato.
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Formação conectada à estratégia de negócios
O desafio chegou diretamente às mesas dos Conselhos. A 29ª CEO Survey da PwC revelou que 33% dos presidentes brasileiros enfrentam dificuldades crônicas para contratar profissionais necessários às transformações do negócio, e outros 36% admitem que a retenção já afeta o desempenho da operação.
Para Maurício França, psicólogo e diretor de Recursos Humanos da Board Academy, a solução é conectar a educação corporativa à estratégia macro. "Capacitação precisa responder a uma necessidade real do negócio. Se a empresa pretende abrir unidades ou preparar uma sucessão, é possível identificar quais competências serão necessárias e desenvolver essas pessoas antes que as novas responsabilidades cheguem."
Como preparar a estrutura para o crescimento
Antes de redesenhar organogramas, os especialistas da Board Academy recomendam 5 passos práticos para o RH e a alta gestão estruturarem essa transição:
- Descubra os gargalos de decisão: O primeiro passo é mapear quais assuntos operacionais continuam escalando indevidamente até o fundador, sócios ou diretoria.
- Mapeie potenciais, não apenas cargos: Identifique profissionais com inteligência emocional e capacidade analítica para responder por resultados futuros.
- Defina a autonomia antes da cobrança: Delegar não é abandonar. Estabeleça os limites de decisão de cada gestor e quais KPIs devem nortear suas escolhas.
- Treinamento baseado na realidade: A capacitação deve fugir das teorias abstratas e ser focada nas "dores" reais e diárias que o novo gestor enfrentará.
- Antecipe a sucessão: Funções vitais para o faturamento não podem ficar à mercê do acaso. Tenha sempre um plano de sucessores mapeados e em treinamento constante.