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Radar Executivo

Cibersegurança sai da sala de TI e vira o risco número um na agenda dos CEOs brasileiros

Por Equipe Editorial Youp

Arquivo/Reprodução

Pela primeira vez no ambiente corporativo, a segurança digital deixou de ser um assunto técnico de infraestrutura e assumiu a liderança absoluta no mapa de riscos de negócios. Segundo o recém-lançado estudo *CEO Outlook*, da EY-Parthenon — que consultou 50 CEOs de corporações estratégicas dos setores de indústria, finanças, consumo e saúde —, as ameaças cibernéticas (26%) superaram pautas históricas como tensões geopolíticas (16%), incerteza regulatória (14%) e a volatilidade macroeconômica (10%). O dado marca uma virada gerencial: o impacto do custo de ignorar ataques digitais transformou a área em um vetor de continuidade de negócio que sobe, inevitavelmente, para a decisão dos conselhos administrativos.

A mudança de paradigma se justifica. Ataques sofisticados de ransomware (sequestro de dados), vazamentos maciços e paralisações nas cadeias de suprimentos derrubam o valor de mercado (Valuation) das companhias e acionam pesadas responsabilidades legais sobre o Board de diretoria. "O tema que por décadas foi tratado como assunto técnico, discutido entre a TI e o fornecedor de antivírus, passou a disputar espaço com inflação e câmbio na cabeça de quem decide o rumo das empresas", analisa Gabriel Pedroso, Head da Selbetti Cybersecurity Solutions.

O setor financeiro dita a maturidade do mercado

Se há um laboratório de excelência sobre como o risco cibernético deve ser tratado estrategicamente, este é o setor financeiro. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, conduzida em parceria com a Deloitte, aponta que as instituições alocarão mais de R$ 50,4 bilhões em TI este ano. Nesse cenário, a cibersegurança foi classificada como "prioridade alta ou média" por 100% dos bancos, desbancando pautas de alto apelo tecnológico como Cloud e Inteligência Artificial Generativa (ambas com 84%).

Imagem ilustrativa sobre o tema

Gabriel Pedroso, Head da Selbetti Cybersecurity Solutions - Arquivo/Reprodução

Para Pedroso, o detalhe mais instrutivo da pesquisa está no aculturamento humano: mais de 220 mil bancários (quase metade do setor) foram treinados em cibersegurança no último ano. "O setor mais maduro do país em defesa digital não aposta apenas em ferramenta, aposta em gente, porque sabe que a porta de entrada da maior parte dos incidentes continua sendo o clique de um colaborador desatento, e não a falha sofisticada de um sistema", alerta o executivo.

Governança antes da tecnologia

A transição dessa pauta para o nível de conselho exige que a cibersegurança ganhe as mesmas métricas de qualquer risco corporativo, com apetite declarado de investimento e orçamento defendido pelos C-Levels. Companhias maduras operam sob a premissa de que sofrer um ataque cibernético é apenas uma "questão de tempo". Por isso, a resposta envolve planos de contingência exaustivamente testados, alinhamento severo com fornecedores terceirizados e a clara definição de papéis entre os departamentos de TI, Jurídico e Comunicação Institucional na gestão de crise.

Esse planejamento se torna ainda mais crítico frente a outro dado levantado pela EY-Parthenon: 72% dos CEOs preveem a injeção maciça de capital em Inteligência Artificial nos próximos meses. A aceleração rumo à automação também amplia de maneira exponencial a exposição de dados e a superfície que necessita de defesa. “As empresas estão, ao mesmo tempo, digitalizando o que têm de mais valioso e ampliando a superfície que precisa ser defendida, e são esses motivos que explicam por que o risco cibernético chegou ao topo da lista e não deve sair dela tão cedo", conclui.

Sobre a Selbetti Tecnologia: Com quase cinco décadas de operação corporativa, a Selbetti Tecnologia atua como a principal One-Stop-Tech do país. Com um time que supera a marca de 2.200 profissionais, a companhia desenvolve ecossistemas complexos voltados à automação estrutural, infraestrutura de dados e Cybersecurity Solutions para impulsionar a eficiência e o crescimento sustentável de médias e grandes operações de mercado.

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