in wa

Mapeamento Executivo

Precisa de suporte em Executive Search e avaliação de lideranças sêniores?

Falar com Headhunter
Coluna Exclusiva: MENTE EXECUTIVA • por Alessandra Miliatti

A Armadura da Liderança: Quando Parecer Forte Demais Pode Começar a Enfraquecer Você

Já que a mente executiva gosta de números, quero começar com alguns.

A cada dez pessoas, apenas duas estão verdadeiramente engajadas com o trabalho. Outras seis cumprem suas tarefas, mas sem envolvimento genuíno. E quase duas estão ativamente desengajadas ou seja, desconectadas do trabalho, da liderança e da empresa.

Os dados são do relatório mais recente do Instituto Gallup sobre o estado do ambiente de trabalho no mundo.

Mas há outro número que chama ainda mais a atenção quando olhamos para ele com cuidado: a maior parte da queda recente no engajamento vem justamente das lideranças.

O engajamento dos gestores, que era de 31% em 2022, caiu para 22% em 2025. Em apenas um ano, a queda foi de cinco pontos percentuais. Enquanto isso, o engajamento de quem não ocupa posições de gestão permaneceu praticamente estável.

Durante mais de 20 anos como executiva de Desenvolvimento Humano e Organizacional, acompanhei de perto os desafios de quem precisa sustentar resultados, tomar decisões difíceis e, ao mesmo tempo, mobilizar pessoas. Hoje, à frente da Tudo Talentos, continuo trabalhando com lideranças de diferentes contextos e percebo algo que os números agora ajudam a dimensionar: estamos exigindo cada vez mais dos líderes e conversando muito pouco sobre o que essa pressão produz dentro deles, na mente executiva.

O Incômodo que Nasce da Pressão

É desse incômodo que nasce esta coluna.

A cada quinze dias, Mente Executiva será um espaço para falarmos sobre ansiedade sob alta pressão, inteligência emocional, autorregulação, prevenção do burnout e comunicação em momentos de crise. Sempre com um olhar para os talentos e pontos fortes, porque aquilo que temos de melhor também pode nos fragilizar quando passa a funcionar sem consciência e sem medida.

Imagem ilustrativa sobre o tema

E talvez você não precise de uma pesquisa para perceber o que está acontecendo.

Basta observar as reuniões cada vez mais tensas, as agendas sem espaço, as decisões que precisam ser tomadas com informações incompletas e a sensação constante de que tudo é urgente e que o tempo é escasso. A liderança está sendo pressionada pela alta direção, demandada pelos liderados e pares e desafiada por mudanças que não compreendemos.

Quando a Ansiedade Veste a Armadura da Excelência

O problema é que essa pressão nem sempre vem acompanhada de um pedido de ajuda. Na alta gestão, a ansiedade costuma se apresentar muito bem vestida. Ela pode parecer comprometimento, agilidade, excelência, pensamento estratégico e senso de responsabilidade.

E é neste ponto que os pontos fortes, se transformam em pontos fracos:

Já percebeu isso?

É assim que aquilo que ajudou uma pessoa a chegar à liderança – ou a ser recrutada por um processo de Executive Search – também pode começar a adoecê-la. Para continuar funcionando, muitos executivos vestem uma armadura. Escondem as dúvidas, silenciam os limites, centralizam as decisões e procuram transmitir segurança mesmo quando internamente estão tentando organizar o próprio caos.

O Preço do Controle e o Valor da Vulnerabilidade

Brené Brown nos ajuda a compreender que essa armadura pode até produzir uma aparência de controle, mas também reduz a conexão, a aprendizagem, a confiança e a coragem necessárias para liderar em cenários de incerteza.

Vulnerabilidade, na liderança, é conseguir dizer:

“Ainda não temos todas as respostas.”
“Essa decisão envolve riscos.”
“Preciso ouvir outras perspectivas.”
“Errei na forma como conduzi essa conversa.”
“A situação é difícil, mas não precisamos fingir que não é.”

Talvez o primeiro passo para desenvolver uma mente executiva não seja aprender uma nova técnica de gestão. Talvez seja reconhecer o que acontece dentro de nós quando a pressão aumenta e escolher conscientemente como agir.

Quero fazer desta coluna um espaço seguro para conversas que nem sempre encontram lugar na agenda executiva: nossos limites, nossas escolhas e o impacto emocional de liderar. Porque fortalecer a mente executiva não significa eliminar a vulnerabilidade, mas aprender a liderar também a partir dela.

Para começar essa conversa, deixo uma pergunta para a sua próxima reunião difícil:
Sob pressão, qual dos seus talentos deixa de ser uma força e começa a funcionar como armadura?

Falar com um Especialista ➔ ← Voltar para a Página Inicial
Alessandra Miliatti

Alessandra Miliatti

Alessandra Miliatti é profissional de Recursos Humanos, especialista em Cultura, DE&I, Gestão de Talentos e Desenvolvimento de Lideranças, com mais de 20 anos de experiência em grandes empresas como Nissin Foods, Azul Linhas Aéreas, Grupo Baumgart, iFood e Raia Drogasil. Professora convidada de instituições como FDC, Senac SP e Unidrumond, também atua como mentora voluntária em iniciativas do Pacto Global da ONU e do Instituto Semear. Reconhecida como Top Voice do LinkedIn nas temáticas de Carreira e Pontos Fortes, palestrante em importantes eventos nacionais e fundadora da Tudo Talentos, consultoria especializada em gestão e desenvolvimento de talentos. Formada em Administração, possui MBA em Gestão de Projetos e especializações em Educação Ambiental, Change Management, Agile Business e Leadership, Design Thinking, Coaching e CliftonStrengths.

Conectar no LinkedIn